1. Introdução2. Sonho em te ver
3. Nosso Bem
4. Prova-me
5. Graça
6. Norte
7. Alvorada
8. Ao som do silêncio
9. Lugar Especial
10. Vinde a mim
11. Adoração
12. Onde eu estiver
13. Imenso amor

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1. Introdução

A escravidão e a servidão são fatos tristes na história da humanidade. Mas, na época de Jesus eram fatos simples e corriqueiros. O sonho dos homens livres era ter escravos. O sonho dos escravos era serem livres e terem escravos para serví-los.
Mas Jesus não foi um homem qualquer que teve seus atos e pensamentos dirigidos pela cultura da época. Ele sabia que Sua mensagem e Seus atos serviriam como exemplo por milhares de anos. É por isto que Jesus jamais discriminou um escravo, uma mulher, um leproso, um membro de outra religião.
Jesus curava e pregava aos escravos. Lidava com eles com o mais absoluto respeito e tratava-os como iguais.
Seu exemplo, que infelizmente não foi seguido por muitos que se diziam Cristãos, foi simples e objetivo: a sociedade discrimina, mas EU não.
São fatos como estes que provam a superioridade moral de Jesus. Use a razão: se uma pessoa é proprietária de escravos ou de servos, podemos acreditar em tudo o que ela fala ou escreve? Claro que não. No ato de aceitar ser senhor de escravos já está demonstrado o quanto esta pessoa ainda precisa evoluir e crescer moralmente.
5 Estava Jesus entrando em Cafarnaum , quando um centurião se aproximou dele e lhe suplicou 6 nestes termos: "Senhor, o meu servo está deitado em casa, paralisado, e sofrendo terrivelmente". 7 Jesus lhe disse: "Irei eu curá-lo?" 8 Mas o centurião prosseguiu: "Senhor, eu não sou digno de que entres sob o meu teto; dize somente uma palavra e meu servo será curado. 9 Também eu estou sujeito a uma autoridade, tendo soldados sob as minhas ordens, e digo a este: ‘Vai’ e ele vai, àquele: ‘Vem’ e ele vem, e ao meu escravo ‘Faze isto’ e ele o faz". 10 Ao ouvi-lo, Jesus encheu-se de admiração e disse aos que o seguiam: "Em verdade , eu vos digo, em ninguém de Israel encontrei tamanha fé. 11 Ora, eu vos digo, muitos virão do nascente e do poente tomar lugar no festim com Abraão , Isaac e Jacó no reino dos céus, 12 ao passo que os herdeiros do Reino serão lançados nas trevas , lá fora, onde haverá choro e ranger de dentes ". 13 E Jesus disse ao centurião: "Volta para casa! Como acreditaste, assim te seja feito". E o servo ficou curado naquela hora. (Marcos 8:5,13)

Uma noite Jesus sobe ao alto de uma montanha acompanhado por Pedro, Tiago e João. Jesus começa a orar e os discípulos caem no sono. Ao acordarem eles percebem que Jesus se transfigurou: seu rosto brilhava como o Sol e suas roupas ficaram brancas como a luz. Jesus estava conversando com Moisés e com o profeta Elias. Pedro, sem entender bem o que estava acontecendo, propõem para o Mestre construir abrigo para os três que conversavam.
Vemos, neste episódio, um contato mediúnico de Jesus com os espíritos de Moisés e Elias. De alguma forma os outros dois tornaram-se visíveis para todos. Jesus, por sua vez, irradiava energia.
Toda a história da passagem de Jesus pela Terra é marcada por fenômenos que são difíceis de serem entendidos. Devemos nos lembrar, porém, que Seus ensinamentos são eternos e que os seres humanos terão que evoluir durante milênios para conseguir entender tudo o que aconteceu nestes 33 anos de vida. Certamente Deus quis que estes fenômenos fossem conhecidos por toda a humanidade, para que servissem como modelo para o nosso estudo, evolução e compreensão da leis da vida.
A vida de Jesus foi uma vida de exemplos, atitudes e compromisso.

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No momento da agonia final, Jesus diz: “Tenho sede.” Um dos soldados que faziam a guarda da crucificação deu-Lhe de beber um líquido a base de vinagre. Este líquido se chamava posca, uma bebida de água e vinagre que fazia parte do equipamento dos soldados romanos (na realidade soldados que serviam ao império romano, a maioria recrutada em outras terras dominadas).
Muitas pessoas, ao lerem os Evangelhos sem conhecer a realidade histórica da época, crêem que o ato de dar vinagre a Jesus foi uma última maldade dos romanos. A realidade não é esta. É certo que aqueles soldados tinham ódio dos Judeus e que judiaram muito do Mestre. Mas, naquele momento final, de grande sofrimento, um desses soldados ouvindo Seu apelo resolveu ter um ato de caridade.
Esta bebida também já serviu para muitos que gostam de fantasias e não se importam em falsear a verdade. Uma das teses fantasiosas é de que esta bebida seria, na realidade, um líquido que daria a Jesus a aparência de morto, mas sem morrer. Aqueles que fazem esta afirmação não oferecem nenhuma prova confiável. Isto mostra que o ser humano tem uma tendência de procurar soluções fantásticas onde existe apenas um ato corriqueiro e belo de um soldado, que tem um pouco de piedade de quem está morrendo e que lhe dá uma pequena parte de sua ração líquida.
“Jesus disse: “tenho sede.” Havia aí uma jarra cheia de vinagre. Amarraram uma esponja ensopada de vinagre na vara, e aproximaram da boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está realizado.” (João 19: 28,30)

Depois de ser batizado por João Batista, Jesus foi para o deserto onde ficou em oração e jejum por mais de um mês. Nestes dias, no isolamento e recolhimento espiritual a que se submeteu, Jesus foi tentado pelo “demônio” ou por algum espírito ruim, ou se confrontou com forças negativas – as explicações são variadas.
O “demônio” tentou desviar Jesus do caminho correto. Para isto tentou fasciná-Lo com promessas de bens terrenos.
1ª tentação: “Não comeu nada nestes dias e, depois disso, sentiu fome. Então o diabo disse a Jesus: “Se Tu és o Filho de Deus, manda que esta pedra se torne pão.” Jesus respondeu: “”A escritura diz: ”Nem só de pão vive o homem.”” (Mateus 4: 3,4).
Significado: Jesus tinha um objetivo e estava fazendo um sacrifício para atingir este objetivo. O “demônio” propõe a Jesus que não se sacrifique, e que use o Seu poder para conseguir o pão e não o “Pão da Vida” espiritual que estava buscando. O desafio do “diabo” era uma cilada para Jesus se mostrar orgulhoso do Seu poder (transformar pedra em pão) e começar a usar este poder segundo as leis do “diabo” e dos homens e não segundo a vontade de Deus. Jesus entende o fato e coloca a vontade de Deus acima de qualquer desejo do “demônio”. Ou seja, Ele não quis provar nada para ninguém.
Ele também demonstra que todos nós temos necessidades que só podem ser satisfeitas a partir de uma vivência espiritual: nem só de pão vive o homem.
2ª tentação: Jesus está no alto de uma montanha. De lá pode-se ver o horizonte e imaginar toda a extensão de terra que forma os mais diversos reinos. O “demônio” diz: “Eu te darei todo poder e riqueza destes reinos, porque tudo isto foi entregue a mim, e posso dá-lo a quem eu quiser. Portanto, se ajoelhares diante mim, tudo isto será teu. “Jesus respondeu: “Você adorará o Senhor seu Deus e somente a Ele servirá.” (Mateus 4: 6,8)
Significado: O “demônio” tenta fascinar Jesus com a proposta de poder. Bastava Ele se tornar igual a tantos outros que queriam dominar os povos e submetê-los à situações injustas que Ele teria todo o poder e o apoio do “demônio” para dominar estes reinos. Mas Jesus disse: Não. Ele decidiu tomar o caminho que Deus havia lhe reservado: revelar as verdades fundamentais da vida, contribuir para a evolução espiritual do mundo, servir de exemplo positivo de amor e bondade para toda a humanidade através dos séculos. A obra de Jesus está aí até hoje; a obra dos dominadores e imperadores sempre acaba.
O “demônio” sempre usa da tentação para levar o homem a ser aproveitador e dominador, Jesus nos ensina que devemos servir e ajudar, que assim seremos mais justos, mais felizes e teremos maior realização interior.
Lembre-se: Jesus teve inteligência ao dizer Não. Mas nem sempre aconteceu assim. Alguns profetas ou homens de religião resolveram lutar pelo poder e até partiram para a guerra e assim se desviaram do caminho correto. Estes falaram coisas corretas, mas também muita coisa incorreta. Por isto devemos ter discernimento e bom senso quando lemos coisas que eles escreveram ou analisamos seus exemplos de vida.
3ª tentação: Jesus estava em Jerusalém, na parte mais alta do Templo. O “demônio” Lhe disse: “Se Tu és Filho de Deus, joga-Te daqui para baixo. Por que a escritura diz: “Deus ordenará a teus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado. ... Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra.” Mas Jesus respondeu: “A Escritura diz: “Não tente o Senhor teu Deus.”” (Mateus 4: 9,12)
Significado: Deus protege aqueles que trilham um caminho correto. Se Jesus fizesse o que o “demônio” queria, Ele não estaria trilhando o caminho correto. Ele estaria colocando Deus à prova. E a verdade é que devemos confiar e nos entregar a Deus.
Se Jesus saltasse do alto do Templo e saísse vivo, com certeza Ele seria aclamado como alguém poderoso e teria inúmeros admiradores prontos para segui-Lo. Jesus, porém, sabia que seu caminho era revelar que todo este poder é ilusão, sendo verdadeiro apenas aquilo que podemos levar para o “além da vida”, onde nossa vida dura um infinito. E nós só levamos para o além vida o que é importante para Deus: valores morais, atos de justiça e amor ao próximo, nosso crescimento interior, caridade, entre outros. Ou seja, Jesus veio revelar a realidade além morte, que a vida continua e que lá só importa a realização da Obra de Deus.
Esta resposta também nos ensina a importância do estudo contínuo e profundo dos ensinamentos de Deus, a fim de conseguirmos (através do conhecimento) sairmos da cilada armada por aqueles que utilizam a própria palavra de Deus desfocada da Vontade de Deus. Jesus se defende da tentação pois conhece o verdadeiro Núcleo da Fé Evangélica.
Ato final: Mateus escreve que depois destas tentações o “demônio” foi embora para voltar em um momento mais oportuno. É provável que Jesus tenha sido tentado outras vezes. Nós também somos constantemente tentados, principalmente pelo nosso egoísmo, sede de poder, ambição, vaidade, etc. Ou seja, nós possuímos um “demônio” interior que tenta nos distanciar do caminho do bem, da verdade e da justiça. Por isto a importância do dito: “orai e vigiai”.
Obs 1: o Evangelho descreve as tentações de Jesus de forma alegórica. Portanto, existem muitos níveis diferentes de interpretações a serem revelados. Aqui apresentamos apenas uma.
Obs 2: a linguagem utilizada pelos escritores dos Evangelhos estão de acordo com as crenças e os conhecimentos da época. Hoje, com a revelação do espiritismo, com os novos conhecimentos de psicologia e de antropologia podemos tentar entender melhor o que realmente ocorreu. Uma nova resposta será futuramente incluída, conjuntamente com esta, para explicitar a visão espiritualista das tentações.
